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domingo, 14 de outubro de 2012

Couraça da Caridade


"Sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade." Paulo (I Tessalonicenses, 5:8)
Paulo foi infinitamente sábio quando aconselhou a couraça da caridade aos trabalhadores da luz.

Em favor do êxito desejável na missão de amor a que nos propomos, em companhia do Cristo, antes de tudo é indispensável preservar o coração.

E se não agasalharmos a fonte do sentimento nas vibrações do ardente amor, servidos por uma compreensão elevada nos círculos da experiência santificante em que nos debatemos na arena terrestre, é muito difícil vencer na tarefa que o Senhor nos confia.

A irritação permanente, diante da ignorância, adia as vantagens do ensino benéfico.

A indignação excessiva, perante a fraqueza, extermina os germes frágeis da virtude.

A ira freqüente, no campo da luta, pode multiplicar-nos os inimigos sem qualquer proveito para a obra a que nos devotamos.

A severidade demasiada, à frente de pessoas ainda estranhas aos benefícios da disciplina, faz-se acompanhar de efeitos contraproducentes por escassez de educação do meio em que se manifesta.

Compreendendo, assim, que o cristão se acha num verdadeiro estado de luta, em que, por vezes, somos defrontados por sugestões da irritação intemperante, da indignação inoportuna, da ira injustificada ou da severidade destrutiva, o apóstolo dos gentios receitou-nos a couraça da caridade, por sentinela defensiva dos órgãos centrais de expressão da vida.

É indispensável armar o coração de infinito entendimento fraterno para atender ao ministério em que nos empenhamos.

A convicção e o entusiasmo da fé bastam para começar honrosamente, mas para continuar o serviço, e terminá-lo com êxito, ninguém poderá prescindir da caridade paciente, benigna e invencível.



XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 98.

domingo, 18 de setembro de 2011

A escola adequada


Consoante os ensinamentos dos Espíritos, a Terra passa por um período muito significativo.
Trata-se do ápice de um estado evolutivo e do princípio de outro.
Cuida-se, na conformidade dos ditos populares, do fim dos tempos.
Mas é apenas do fim dos tempos de angústia que se fala.
A vida no planeta não vai cessar e nem a Humanidade se extinguirá.
Vive-se a transição da fase de provas e expiações para a de regeneração e paz.
Em decorrência dessa transição, muitos fenômenos angustiantes chamam a atenção.
São terremotos, tsunamis, enchentes, desmoronamentos e tragédias as mais diversas.
Mas, de outro lado, dão-se ocorrências não menos interessantes.
São os espetáculos da solidariedade, quando incontáveis mãos se movimentam para socorrer quem sofre.
Regimes totalitários são postos em xeque por ideais e movimentos democráticos.
A evolução informática e a troca de dados tornam mais difícil a criminalidade anônima e impune.
São tempos novos esses.
Neles, os valores são colocados em teste.
É necessário definir-se.
Ou se decide viver de forma digna e fraterna ou se busca levar vantagem com a instabilidade temporária.
Ocorre que nessa definição de rumos cada um está a traçar o seu destino.
Porque na Terra em breve devem cessar os espetáculos da dor mais atroz.
O ambiente planetário se tornará regenerador e pacífico.
Os mundos funcionam como escolas nas quais os Espíritos são matriculados pela Divindade.
Eles oscilam grandemente em suas características.
Alguns se assemelham a hospitais e a penitenciárias.
Neles encarnam os doentes da alma, portadores de incontáveis vícios.
Orgulhosos, cruéis, preguiçosos e espertos compõem a maioria dos habitantes.
Evidentemente, há os que têm sucesso em suas lutas íntimas e não se acomodam a esse quadro.
Embora com dificuldade, seu viver é digno.
Também há os missionários do amor Divino, que ali estão na qualidade de professores do bem infinito.
Mas existem os mundos destinados à tranquila maturação das virtudes.
Ser eleito para a paz ou para os duros embates depende da própria realidade íntima.
Neste momento, cada homem define o seu futuro.
Na Terra, só devem continuar a renascer os dispostos ao trabalho e à vivência do bem.
Quem gosta de levar vantagem e fica indiferente ante a dor alheia nela não encontrará mais recursos evolutivos. Pois sensibilidades embotadas necessitam ser trabalhadas por grandes dores.
O ser endurecido precisará renascer em mundos mais primitivos, para ter as lições adequadas ao seu caráter.
Convém refletir sobre essa transformação do planeta e definir o próprio futuro.
 
Redação do Momento Espírita.
Em 16.08.2011.
 

domingo, 14 de agosto de 2011

Quem tem condições

O perfeito entendimento entre as criaturas ainda é raro no mundo.

Os laços de genuína afinidade são tesouros preciosos, a serem carinhosamente mantidos.

Entretanto, não é possível conviver apenas com quem partilha das mesmas ideias.

Nos mais variados setores da existência, os atritos por vezes surgem.

No recesso do lar, irmãos nem sempre se entendem.

Pais e filhos têm ideais diferentes.

Esposos frequentemente não encontram um denominador comum na condução dos destinos da família.

No setor profissional, também há criaturas com as quais o relacionamento é trabalhoso e difícil.

Nessas horas críticas é que se revela o valor individual.

O primeiro impulso é o de esperar ser compreendido.

As próprias ideias sempre parecem mais acertadas do que as alheias.

As soluções que o próprio coração alvitra costumam se afigurar mais justas do que as propostas pelos outros.

O outro é que deve entender, perdoar e ceder.

Contudo, esse gênero de expectativa não costuma ser atendido.

Se ninguém se dispuser a dar o primeiro passo rumo ao entendimento, um pequeno evento pode tomar proporções desastrosas.

Quanto a quem se esforçará mais e melhor pela paz, a maturidade espiritual dos envolvidos é que decide.

Em qualquer situação, vigora o princípio de que ninguém pode dar o que não tem.

O egoísta, vaidoso e arrogante não consegue exemplificar a humildade e facultar a concórdia.

O pervertido não possui condições íntimas de vivenciar a pureza.

Tendo essa realidade em mente, procure analisar como você se comporta em situações de confronto.

Procura perdoar, compreender e auxiliar?

Ou se considera demasiado importante para abdicar de sua posição em favor da paz?

Não se trata de ganhar ou de perder, mas de aprender a respeitar opiniões diferentes.

Mesmo quando sua posição é visivelmente a melhor, há como lutar por ela sem ofender e humilhar.

Se você é cristão, seus deveres perante a humanidade são significativos.

Afinal, você precisa ser o sal da Terra e a luz do mundo.

Entre o cristão sincero e os erros do mundo trava-se há longo tempo um silencioso combate.

Só que esse combate não é sanguinolento, mas se estriba no exemplo e na compaixão.

Se o próximo é difícil, cabe-lhe conquistá-lo e gentilmente esclarecê-lo.

Quem está mais preparado para as renúncias que a harmonia social exige?

O descrente ou o idealista?

Ciente disso, torne-se um agente do bem.

Se a vida lhe oportuniza ser aquele que serve e luta pela paz, significa que você tem condições para tanto.

Não desperdice a oportunidade!

Redação do Momento Espírita.

Em 11.05.2009.

domingo, 24 de julho de 2011

Ainda o amor

Nos dias que vivemos, muito se ouve falar a respeito do amor. Suspiram os jovens por sua chegada, idealizando cores suaves e delicados tons.

Alguns o confundem com as paixões violentas e degradantes e, por isso mesmo, afirmam que o amor acaba.

Entretanto, o amor já foi definido pelos Espíritos do Bem como o mais sublime dos sentimentos. Reveste-se de tranquilidade e confere paz a quem o vivencia.

Não é produto de momentos, mas construção laboriosa e paciente de dias que se multiplicam na escalada do tempo.

Narra o famoso escritor inglês Charles Dickens que dois recém-casados viviam modestamente. Dividiam as dificuldades e sustentavam-se na afeição pura e profunda que devotavam um ao outro.

Não possuíam senão o indispensável, mas cada um era portador de uma herança particular.

O jovem recebera como legado de família um relógio de bolso, que guardava com zelo. Na verdade não podia utilizá-lo por não ter uma corrente apropriada.

A esposa recebera da própria natureza uma herança maravilhosa: uma linda cabeleira. Cabelos longos, sedosos, fartos, que encantavam.

Mantinha-os sempre soltos, embora seu desejo fosse adquirir um grande e lindo pente que vira em uma vitrina, em certa oportunidade, para os prender no alto da cabeça, deixando que as mechas, caprichosas, bailassem até os ombros.

Transcorria o tempo e ambos acalentavam o seu desejo, sem ousar expor ao outro, desde que o dinheiro que entrava era todo direcionado para as necessidades básicas.

Em certa noite de Natal, estando ambos face a face, cada um estendeu ao outro, quase que ao mesmo tempo, um delicado embrulho.

Ela insistiu e ele abriu o seu primeiro. Um estranho sorriso bailou nos lábios do jovem. A esposa acabara de lhe dar a corrente para o relógio.

Segurando a preciosidade entre os dedos, foi a vez dele pedir a ela que abrisse o pacote que ele lhe dera.

Trêmula e emocionada, a esposa logo deteve em suas mãos o enorme pente para prender os seus cabelos, enquanto lágrimas significativas lhe rolavam pelas faces.

Olharam-se ambos e, profundamente emocionados descobriram que ele vendera o relógio para comprar o pente e ela vendera os cabelos para comprar a corrente do relógio.

Ante a surpresa, deram-se conta do quanto se amavam.

* * *

O amor não é somente um meio, é o fim essencial da vida.

Toda expressão de afeto propicia a renovação do entusiasmo, da qualidade de vida, de metas felizes em relação ao futuro.

* * *

O amor tem a capacidade de estimular o organismo e de lhe oferecer reações imunológicas, que proporcionam resistência para as células, que assim combatem as enfermidades invasoras.

O amor levanta as energias alquebradas e é essencial para a preservação da vida.

Eis porque ninguém consegue viver sem amor, em maior ou menor expressão.

Redação do Momento Espírita com base em conto de Charles Dickens, e no cap. 13

do livro Momentos enriquecedores, pelo Espírito Joanna de Ângelis,

psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Em 05.05.2009.

domingo, 17 de julho de 2011

A mensagem de um menino

Ele tinha apenas oito anos, contudo, detinha a sabedoria das grandes almas. Era uma criança no corpo. Mas, seu Espírito já se dera conta de que breve seria sua vida sobre a Terra.

Generoso, como todas as almas nobres, a sua era a preocupação com outras pessoas. Como ficaria sua mãe sem ele, por exemplo?

Quando soprou as oito velas do seu bolo de aniversário e sofreu uma nova e grave crise que o levou ao hospital mais uma vez, Peter resolveu fazer uma lista.

Era uma lista de alguns itens que ele desejava executar, antes de morrer.

Dos itens constava encontrar alguém que se encarregasse de retirar a neve da frente da casa.

E isso não foi muito difícil, porque um dos vizinhos disse que teria prazer em assumir esse encargo.

E, porque se preocupasse com a qualidade de vida de sua mãe, desejava conseguir, de alguma forma, que ela concluísse a canção que começara a compor quando ele nascera.

Seria o reconhecimento e a consagração dela como compositora.

Para si mesmo, duas coisas eram muito especiais: morrer em casa, cercado de seus amigos e colocar um grande mastro, frente à sua casa, sinalizando que era ali que Peter se encontrava.

Ele iria morrer e desejava que os anjos soubessem onde ele morava, para o virem buscar.

A mãe, descobrindo a lista e reconhecendo a sua importância, se esmerou e, mesmo com o coração a sangrar, concluiu a canção.

Ela a chamou de O Salmo 151. Explicou que lera os 150 salmos da Bíblia, mas que nenhum deles traduzia a alegria que ela sentira ao dar à luz a seu filho.

A dificuldade em conclui-la se dera em função da descoberta da enfermidade de que ele era portador e do pouco tempo de vida que teria.

Todos os recursos possíveis foram empreendidos para que o convênio de saúde aprovasse cuidados ao pequeno enfermo, no lar.

E, numa tarde fria, enquanto Peter se despedia da vida física, os amigos se reuniram para cantar, junto com sua mãe, O Salmo 151.

Quando Peter deixou exalar o último e tranquilo suspiro, os olhos dos amigos se ergueram para contemplar a bandeira tremulando ao vento.

E, em todos os corações, havia a certeza: a bandeira indicativa era desnecessária. Pela forma como suportara a enfermidade e as dores, como se preparara para a morte, pelo seu desprendimento e amor, os anjos sabiam, com certeza, onde estava Peter.

E o tinham vindo buscar.

* * *

Existem Espíritos que estão entre nós por pouco tempo. Especiais, destacam-se pela sua forma de ver e sentir a vida.

Vem e vão rapidamente. No entanto, a sua mensagem de amor é de tal forma forte, vigorosa, que deixam o aroma da sua presença indelével entre os que tiveram a ventura de com eles conviver.

A sua lição é do amor que não se apaga, da bondade que se preocupa com o outro e da sábia resignação ante aquilo que não pode ser alterado.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, com base no episódio

O salmo 151, do seriado televisivo O toque de um anjo.

Em 28.04.2009.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Por um mundo renovado

Uma atenta análise da História da Humanidade revela um avançar contínuo.

Sob os mais diferentes aspectos, gradualmente há avanços.

Esse processo não é uniforme em todos os povos.

Aliás, em um mesmo povo as virtudes se consolidam com vagar e em ritmos distintos.

Assim, o conjunto de certa nação apresenta tendência à ordem e ao trabalho, mas se conserva intolerante.

Outra possui a tolerância mais desenvolvida, mas tropeça no quesito honestidade.

O primordial é que, pouco a pouco, os costumes se purificam.

Alguns hábitos lamentáveis do passado lentamente perdem a força e se afiguram odiosos, como o racismo.

Contudo, a evolução não se processa sem algum esforço.

Cada nova idéia teve seus ardorosos defensores, que lutaram contra a inércia geral.

No princípio, a batalha pela renovação sempre parece difícil, talvez até impossível.

Contudo, o progresso é uma lei universal.

Idéias e hábitos mais puros podem demorar a empolgar, mas com o tempo eles se efetivam.

Os pioneiros da luta muitas vezes desencarnam antes de ver o resultado de seus esforços.

Como a reencarnação também é uma lei da vida, eles ressurgem no corpo e desfrutam do novo clima cujo desabrochar propiciaram.

Com essa realidade em mente, convém refletir sobre a sociedade atual.

São comuns os brados contra a violência, a corrupção e os costumes desregrados.

Ocorre que não basta indignar-se.

O mundo não se renovará por si.

Os homens são os artífices do amanhã, qualquer que seja ele.

Para que o futuro seja venturoso, importa trabalhar arduamente em seu favor.

Os meios para isso são os mais variados.

Mas a reforma mais difícil sempre é a do próprio proceder.

Embora difícil, ela é imprescindível.

Fazer o que se critica nos outros é pura hipocrisia.

Quem condena desonestidades de políticos tem o dever indeclinável de ser rigorosamente honesto em seus atos.

O homem que abomina o preconceito não pode praticá-lo.

Aquele que questiona a falta de ética do próximo precisa cumprir com rigor todos os seus deveres.

Após a retificação da própria vida, surge a necessidade de auxiliar na transformação do coletivo.

Evidentemente, uma vida digna é sempre a melhor lição.

Mas as conversações dignas, a educação dos ignorantes e os serviços sociais são importantes meios de auxiliar o surgimento de um amanhã melhor.

Lembre-se de que hoje você vive no mundo que ajudou a construir em suas existências pretéritas.

Assim, não gaste tempo em reclamações.

Apenas trabalhe pelo surgimento de um mundo mais honesto, justo e fraterno.

Assim agindo, chegará o dia em que você terá a ventura de viver na sociedade dos seus sonhos.

Redação do Momento Espírita.

Em 27.04.2009.

domingo, 22 de maio de 2011

Por que se atrasa?

Era uma tarde de domingo e o parque estava repleto de pessoas que aproveitavam o dia ensolarado para passear e levar seus filhos para brincar.
O vendedor de balões havia chegado cedo, aproveitando a clientela infantil para oferecer seu produto e defender o pão de cada dia.
Como bom comerciante, chamava atenção da garotada soltando balões para que se elevassem no ar, anunciando que o produto estava à venda.
Não muito longe do carrinho, um garoto negro observava com atenção. Acompanhou um balão vermelho soltar-se das mãos do vendedor e elevar-se lentamente pelos ares.
Alguns minutos depois, um azul, logo mais um amarelo, e finalmente um balão de cor branca.
Intrigado, o menino notou que havia um balão de cor preta que o vendedor não soltava.
Aproximou-se meio sem jeito e perguntou:
Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?
O vendedor sorriu, como quem compreendia a preocupação do garoto, arrebentou a linha que prendia o balão preto e, enquanto ele se elevava no ar, disse-lhe:
Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir.
O menino deu um sorriso de satisfação, agradeceu ao vendedor e saiu saltitando, para confundir-se com a garotada que coloria o parque naquela tarde ensolarada.
*   *   *
O preconceito é uma praga que se alastra nas sociedades e vai deixando um rastro de prejuízos, tanto físicos como morais.
O preconceito de raça tem feito suas vítimas, ao longo da História da Humanidade.
Mas não é somente o preconceito racial que tem sido causa de infelicidade. Esse malfeitor também aparece disfarçado sob outras formas para ferir e infelicitar.
Por vezes, surge como defensor da religião, espalhando a discórdia e a maldade, o sectarismo e os ódios sem precedentes.
Outras vezes apresenta-se em nome da preservação da raça, gerando abismos intransponíveis entre os filhos de Deus.
Também costuma travestir-se de muro entre as classes sociais, fortalecendo o egoísmo, o orgulho, a inveja e o despeito.
Podemos percebê-lo, ainda, agindo como barreira entre a inteligência e a ignorância, disfarçado de sabedoria, impedindo que o mais esclarecido estenda a mão ao menos instruído.
O preconceito também costuma aparecer travestido de patriotismo, criando a falsa expectativa de supremacia nas mentes contaminadas pela soberba.
Ele também pode ser percebido com aparência de idealismo político, explorando mentes juvenis inexperientes e sonhadoras, que são usadas como massa de manobra.
Como se pode perceber, o preconceito é um inimigo público que deveria ser combatido como se combate uma epidemia.
Essa chaga social tem emperrado as rodas do progresso e da paz.
Por essa razão, vale empreender esforços para detectar sua ação, sob disfarces variados, e impedir sua investida infeliz.
Começando por nós mesmos, vamos fazer uma autoanálise para verificar se o preconceito não está instalado em nosso modo de ver, de sentir, comandando nossas atitudes diárias.
Depois, extirpar de vez por todas esse mal que teima em nos impedir de viver a solidariedade e a fraternidade sem limites, como propôs o Mestre de Nazaré.
*   *   *
A fraternidade é a chave que rompe as amarras que nos retém nas baixadas, quais balões cativos, e nos permite ganhar as alturas, elevando-nos acima das misérias humanas.
Para isso, lembremo-nos do vendedor de balões e ouçamos a sábia advertência da nossa própria consciência:
Não é a cor, nem a raça, nem a posição social, nem a religião, nem as aparências externas, filho, é o que está dentro de você que o faz subir.
Pense nisso!

Redação do Momento Espírita com base no conto, O vendedor de balões, do livro As 100 mais belas parábolas de todo os tempos, de Alexandre Rangel, ed. Leitura.
Em 25.04.2011.

domingo, 8 de maio de 2011

A missão da maternidade


O Bispo de La Serena, Chile, Dom Ramon Angel Jara, teve oportunidade de escrever um texto muito poético que diz:

Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus.

Pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo. Que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude.

Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida.

Quando sábia, assume a simplicidade das crianças. Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama. Rica, sabe empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos.

Forte, estremece ao choro de uma criancinha. Fraca, se revela com a bravura dos leões.

Viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam.

Morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que ensope de lágrimas esse álbum. Porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página. Eles lhes cobrirão de beijos a fronte. Digam-lhes que um pobre viandante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria mãe.

Na atualidade, a mulher assumiu muitos papéis. Lançou-se no mundo e se transformou na operária, juíza, cientista, professora, militar, policial, secretária, empresária, presidente, general e tudo o mais que, no passado, era privilégio do homem.

A mulher se tornou em verdade uma super-mulher que, além dos afazeres domésticos, conquistou o seu espaço no mercado de trabalho.

Naturalmente, não para competir com o homem, mas para somar com ele, pois dos esforços de ambos resulta o sustento e o bem-estar da família.

A rainha do lar se transformou na mulher que atua e decide na sociedade.

Das quatro paredes do lar para o palco do mundo. Contudo, essa mulher senadora, escriturária, deputada, médica, administradora de empresa não perdeu a ternura.

Ela prossegue a acolher em seu ninho afetivo o esposo e os filhos.

Equilibrada e consciente, ela brilha no mundo e norteia o lar. Embora interprete muitos papéis, ela não esqueceu do seu mais importante papel: o de ser mãe.

* * *

Dentre todas as mulheres que se projetaram no mundo, realizando grandes feitos, a nossa lembrança recua no tempo buscando uma mulher especial.

A história não lhe registra grandes discursos, mas o Evangelho lhe aponta gestos e palavras que valem muito mais.

Mãe de um filho que revolucionou a História, manteve-se firme na adversidade, na dor, exemplificando o que Ele ensinara.

Não deixou testamento, riquezas ou haveres mas legou à Humanidade a excelente lição da mulher que gera o filho, alimenta-O e O entrega ao mundo para servir ao mundo.

Seu nome era Maria... Maria de Nazaré.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Um poético e autêntico retrato de uma genitora – nossa homenagem à toda mulher-mãe, do jornal Correio fraterno do ABC, de maio de 2000 e no texto Retrato de mãe, de Dom Ramon Angel Jara, Bispo de La Serena, Chile, tradução de Guilherme de Almeida.

Em 29.04.2011.

domingo, 10 de abril de 2011

Em que Deus eu creio

Quando se pergunta a uma pessoa se ela crê em Deus, a resposta, com raras exceções, é afirmativa. Sim, ela crê em Deus.

Estranhamente, embora o expressivo número de pessoas que dizem crer em Deus, é igualmente expressivo o número dos desencantados, depressivos, desesperados.

Como se pode explicar que crendo em Deus, Pai amoroso e bom, que tudo vê, tudo sabe, tudo faz, a pessoa possa cair no poço da desesperança?

Talvez a resposta esteja na forma como cremos em Deus, ou somos levados a crer.

Albert Einstein, certa vez, em Nova York, num diálogo com o Rabino Goldstein, foi indagado se acreditava em Deus. Ele respondeu:

Tenho a origem judaica arraigada em meu interior. Acredito no Deus de Spinoza, que revela a harmonia em tudo o que existe. Não acredito, porém, que Deus se preocupe pela sorte das ações cometidas pelos homens.

Por causa desta declaração muitas polêmicas foram geradas entre Albert, físicos e religiosos. Muitos se apegaram a sua declaração para desenvolver protestos sobre as suas teorias.

Religiosos se manifestaram, dizendo que a Teoria da Relatividade deveria ser revista. Diziam que por trás de toda a controvérsia daquele físico, estava o terrível fantasma do ateísmo.

Que ele disseminava dúvidas com relação à presença de Deus sobre a criação de todo o Universo e as criaturas.

A resposta do físico foi serena, embora para muitos tenha continuado incompreensível.

Ele dizia que sua religião consistia na admiração pela humildade dos Espíritos superiores, pois esses não se apegam a pequenos detalhes, ante os nossos Espíritos incertos.

Dizia: Por esse motivo racional, diante da superioridade desse Universo, é que localizo e faço a idéia de Deus. Não sou ateu.

Quem quer deduzir isso das minhas teorias científicas, não fez por entendê-las.

Creio pessoalmente em Deus e nunca em minha vida cedi à ideologia ateia. Não há oposição entre ciência e religião.

O que há são cientistas atrasados, com ideias que não evoluíram, com o passar do tempo.

Vejo na experiência cósmica uma religião nobre, uma fonte científica para profundas pesquisas.

Procuro entender cada estrela contida nesse imenso Universo, que não é material.

Quem assim não procede, sentindo essa estranha sensação de querer levitar no infinito, realmente não sabe viver, porque está morto, diante de tanta beleza divina.

Há muitas formas de o ser humano crer em Deus. Há, para muitos, o Deus jurídico, legislador, agente policial da moralidade, que, através do medo, estabelece essa distância da verdadeira crença.

Deus está em todas as minhas teorias e invenções. Ele está presente em tudo e creio que em todos, até nas formas mais primitivas.

Essa é a minha religião e o Deus em que creio.

* * *

Se assim dizia, assim viveu. Albert Einstein foi o exemplo do cristão autêntico, preocupando-se, de forma constante, com seu semelhante.

Ainda dois anos antes de sua desencarnação, foi comemorado seu aniversário numa grande festa pública.

Tudo o que lhe foi dado como presentes, Albert transformou em dinheiro e enviou para os fundos da Faculdade de Medicina Albert Einstein.

Redação do Momento Espírita, com base em

dados biográficos de Albert Einstein.

Em 17.04.2009.

domingo, 6 de março de 2011

A mesma medida

Em uma conhecida passagem evangélica, Jesus afirma que cada um será medido com a medida que aplicar aos outros.

Tem-se aí um princípio de justiça, já revelado no comando de amar ao próximo como a si mesmo.

Pelo mandamento do amor, surge o dever de tratar o semelhante como se gostaria de ser tratado, se estivesse em seu lugar.

A idéia básica é uma igualdade essencial entre todos os homens.

Embora diferentes pelas posições que ocupam na vida em sociedade, nenhum possui essência apartada da dos demais.

Evidentemente, há criaturas mais adiantadas, cuja bondade e sabedoria causam admiração.

Entretanto, na origem e no fim todos se aproximam.

Saídos da mais absoluta simplicidade chegarão à plenitude das virtudes angélicas.

Enquanto percorrem a longa jornada, devem se auxiliar mutuamente.

A lição cristã cinge-se basicamente à fraternidade.

É possível sofisticar o pensamento e encontrar nuanças preciosas nos ensinamentos do Cristo.

Mas é preciso cuidado para não esquecer o básico, nessa busca de detalhes, por valiosos que sejam.

O essencial reside em aprender a olhar o próximo como um semelhante, um irmão de caminhada.

Se ele se apresenta vicioso e de convívio pouco atrativo, nem por isso deixa de ser uma preciosa criatura de Deus.

Justamente perante os equivocados do mundo, convém refletir sobre a igualdade da medida.

À parte os Espíritos puros, que já percorreram todos os degraus da escala da evolução, os demais cometem erros.

Mesmo homens bem intencionados por vezes erram.

Não se trata de uma tragédia, na medida em que a vida propicia meios de reparar os estragos e seguir em frente.

Uma visão estreita da Divindade pode levar à concepção de que Ela sempre está a postos para punir suas criaturas.

Entretanto, não é assim.

As Leis Divinas encontram-se escritas na consciência de cada Espírito.

Elas visam à educação e à evolução dos seres, não a sua punição.

O rebote do desconforto que a violação da lei provoca destina-se a incentivar a retomada do caminho correto.

É possível ignorar os protestos da própria consciência um tempo, mas não indefinidamente.

Sempre surge o momento em que ela fala alto e atrai as experiências retificadoras do mal cometido.

Ocorre que o mesmo homem que encontra desculpas para seus equívocos, por vezes, é severo crítico do semelhante.

Ao assim agir, molda em seu íntimo um juiz implacável.

Quando chegar a sua hora de prestar contas dos próprios atos à eterna justiça, as medidas desse juiz severo é que lhe serão aplicadas.

Ciente disso, convém treinar um olhar indulgente para as falhas alheias.

Não se trata de tentar burlar a incidência da justiça divina, sempre perfeita.

Mas de não valorizar em excesso a sombra e a dor e de compreender a falibilidade natural do ser humano.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita.

Em 16.04.2009.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Apenas um voltou

Explicar as parábolas de Jesus, para crianças, requer arte nas palavras, requer linguagem própria e muito cuidado.

Recentemente, encontramos texto com tal iniciativa nobre, que alcança o seu objetivo com muita propriedade.

Diz assim:

Certa vez Jesus andava pelo caminho, quando uns homens se aproximaram Dele.

Aqueles homens estavam doentes. Eles eram vítimas de hanseníase, uma terrível doença de pele, na época, chamada lepra.

Naquele tempo, não havia tratamento para esse tipo de doença e as pessoas que ficavam enfermas eram retiradas da cidade, e tinham que ficar longe de suas famílias, de sua casa.

Quando alguém se aproximasse, elas deveriam gritar bem alto: “Imundo, imundo...”, que quer dizer “sujo, impuro”, para que as pessoas se afastassem.

Já pensou que vida triste? Não poder abraçar seus pais e amigos, dormir em sua cama confortável e ter de viver isolado de todo mundo?... Pois é... Aqueles homens viviam assim.

Mas eles ouviram falar de Jesus, e esperavam ansiosamente o dia em que pudessem encontrá-Lo.

Quando ouviram dizer que Jesus se aproximava, não ligaram para as regras nem para os homens, e correram até o Mestre.

Eles sabiam que Jesus tinha o poder de curar os doentes e sarar suas feridas. Eles sabiam que Jesus era amoroso e bom.

Ao se aproximarem daquele Homem de semblante tranquilo, se ajoelharam e falaram bem alto: “Senhor, cura-nos!”

Jesus ficou muito comovido ao ver aqueles homens, pois o Senhor conhece nosso coração e nossos sentimentos.

Ele sabia o quanto eles eram infelizes. Então Jesus ordenou que fossem curados e a doença imediatamente desapareceu.

Aquela pele machucada e cheia de cicatrizes foi transformada em uma pele lisinha e limpa igual à pele de uma criança.

Os homens ficaram tão felizes que começaram a se abraçar e pular de felicidade.

* * *

O que você faria se acontecesse um milagre assim em sua vida? Você sairia correndo para comemorar? Você iria correndo agradecer a Jesus?

Pois é. Nove homens pensaram da primeira forma, nem se lembraram de agradecer ao Mestre. Só um voltou correndo, ajoelhou-se diante de Jesus e agradeceu tão grande amor.

* * *

Podemos refletir sobre a mesma questão proposta à alma infantil: como temos agido em nossos dias, perante os tantos gestos de carinho que recebemos?

Desde a ajuda mais simples, os pequenos favores e cortesias às grandes dádivas que recebemos, como a saúde, o corpo perfeito ou não, a oportunidade da vida.

Será que estamos nos comportando como os nove que nem sequer voltaram para um simples agradecimento? Ou já conseguimos valorizar tudo o que recebemos, e cultivamos em nós a virtude da gratidão?

Se pararmos para pensar, perceberemos que são tantas coisas para agradecer!

Tantas coisas, que talvez, se as percebêssemos mais frequentemente, teríamos menos espaço nos pensamentos para as reclamações, as queixas, as tristezas.

Reflitamos se estamos sendo suficientemente gratos em nossas vidas...

Redação do Momento Espírita.

Em 01.04.2009.